“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, disse o poeta na famosa música dos anos 1980. Passados dois anos do primeiro caso de infecção por covid-19 no mundo – a data oficial é 17 de novembro de 2019 – não resta nenhuma dúvida de que a humanidade vive mais um de seus pontos de desequilíbrio, no conceito descrito pelo jornalista e escritor Malcolm Gladwell em seu livro “Tipping Point”. Os comportamentos, relações, hábitos e necessidades mudaram e isso foi determinante para as tendências da educação de 2022.

Guerras, revoluções tecnológicas, descobertas, fatos (como o 11 de setembro) marcam e mudam a humanidade. E o setor educacional já vivenciava um processo de evolução, que vinha sendo chamada também em outros setores, a bem da verdade praticamente todos, de transformação digital. O coronavírus apenas mudou a relação de tempo dessa evolução prevista. Em outras palavras, fora o grande impacto humano e econômico da pandemia, vimos a necessidade de incorporar o “tudo-ao-mesmo-tempo-agora’ de abordagens e tendências como aulas remotas, automações, digitalização de processos, “contactless”, segurança da informação, novos modelos organizacionais e mais.

O que esperar do setor de educação em 2022?

Analistas de mercado projetam uma recuperação maior dos alunos presenciais a partir do primeiro semestre de 2022, face do avanço da vacinação no Brasil e de um ambiente econômico um pouco melhor.

O Morgan Stanley, por exemplo, projeta uma alta de 21% nas matrículas de alunos presenciais para o primeiro semestre do próximo ano, no caso das empresas educacionais listadas em bolsa, isso sem contar as aquisições de alunos em processos de fusões e aquisições.

Ao mesmo tempo, o ensino a distância (EAD) continuará crescendo em ritmo acelerado. De acordo com o Censo da Educação Superior do Ministério da Educação, entre 2009 e 2019, o número de matrículas em cursos à distância aumentou 378,9%. Já a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que a busca por cursos online já cresceu cerca de 59% entre 2020 e 2021.

Um outro levantamento da Educa Insigths projeta que, em 2022, as matrículas para cursos on-line serão superiores às de curso presencial. A consultoria estima 1,3 milhão de novas matrículas em cursos presenciais e 1,6 milhão no on-line em 2022. Para o ano seguinte, os calouros digitais seriam 2,5 milhões contra 1,4 milhão de novos frequentadores de aulas presenciais.

Em 2020 e 2021, os resultados foram bem ruins para o setor, em função da suspensão das aulas presenciais por 99,3% das escolas, de acordo com pesquisa realizada pelo INEP, e do abandono escolar. No primeiro caso, em 2020, foram 279 de suspensão de aulas.

Em relação à evasão, 4 milhões de estudantes entre 6 e 34 anos, deixaram de estudar em 2020 – uma taxa de abandono escolar de 8,4%. No ensino superior, a taxa foi de 16,3%. Entre os estudantes que deixaram a escola em 2020, 17,4% disseram que não pretendiam voltar à escola, presencial ou virtual, em 2021.  O estudo foi feito pelo C6 Bank e o Datafolha.

Bem, como disse o poeta na mesma música citada acima: “tudo passa, tudo sempre passara”. E as escolas também se preparam para uma retomada e para um novo momento do setor em termos de práticas, abordagens e tecnologias.

As principais tendências da educação em 2022

Ensino personalizado

Não é diferente de outros mercados. O consumidor deseja mais personalização de produtos e serviços. Com o ensino remoto e híbrido predominando nesses últimos dois anos, pais e responsáveis puderam acompanhar e entender a dinâmica de aulas, deficiências, interesses e as prefer6encias e habilidades dos estudantes.

Assim, ajustes em métodos de ensino – muitos já foram feitos nesse período – devem prevalecer para adequar conteúdos, prática, ferramenta e atividades à realidade de cada grupo ou perfil de aluno.

Escola híbrida

A tecnologia foi aliada fundamental para a educação não se tornasse terra-arrasada num momento tão crítico. Sem a virtualização do ensino, o conteúdo digital, o EAD e a colaboração remota, a capacidade de aprendizado teria sido reduzida a nada.

E, desde então, pedagogos e pais ou responsáveis passaram a entender a tecnologia como uma ferramenta fundamental para o aprendizado.

Digitalização de educadores

Em 2019, a Cisco, multinacional de tecnologia, constatou em uma pesquisa que 80% dos educadores não estavam preparados para o ensino remoto ou híbrido. A tecnologia estará cada vez mais presente na sala de aula, inclusive no modelo presencial. Assim, educadores precisarão ser constantemente treinados e avaliados por suas habilidades digitais.

Ensino à distância

O EAD já vinha crescendo pelo menos há uma década. Neste período, as dúvidas sobre sua eficácia arrefeceram e os benefícios como maior inclusão, comodidade, flexibilidade e mensalidades mais em conta saltaram aos olhos. Com a pandemia mais ainda. E os números estão aí (logo acima neste artigo). Incontestáveis.

Humanização do ensino

Já falamos da personalização do ensino acima, que está intrinsecamente ligado ao processo de humanização do ensino. Personalizar é individualizar. E num ambiente escolar, significa entender melhor cada aluno, estimular sua socialização, dirimir conflitos para desenvolver a conexão com a comunidade escolar e, assim, impulsionar resultados, aprendizado.

Escola mais digitalizada

Reduzir a burocracia, agilizar processos, melhorar a experiência de alunos, pais e responsáveis significa mais tecnologia. Sistemas de Gestão, Apps e Canais Digitais estarão no centro da necessidade de controlar melhor custos, reter mais alunos e melhorar resultados.

Armazenamento descentralizado com Blockchain

Intimamente ligado à desburocratização da gestão educacional, o armazenamento descentralizado em Blockchain é um elo decisivo para a digitalização eficaz da escola.

A rede Blockchain garante a segurança por meio de registros distribuídos, criptografados e compartilhads que armazenam informações. Inicialmente usado para garantir transações financeiras, a tecnologia está ganhando outros usos, como a proteção e perpetuação de documentos.

Essa tecnologia irá permitir que documentos escolares e produção acadêmica, entre outros arquivos digitais, fiquem armazenados com diversas camadas de segurança. Arquivos digitais passam a ser indestrutíveis e imunes aos já famosos sequestros de dados praticados por criminosos digitais.

Contratos Inteligentes na Educação

Smart Contracts são algoritmos capazes de facilitar, executar e “forçar” o cumprimento de um acordo. Esses contratos inteligentes registram as regras de negócios, de relacionamento entre dois entes (por exemplo, a escola e o aluno. com um altíssimo nível de segurança.

Os Smart Contracts apresentam um alto nível de segurança pois permitem que dois ou mais indivíduos, mesmo sem se conhecerem, façam negócios entre si sem que haja a necessidade de uma entidade centralizada como intermediária.

Essa tecnologia irá viabilizar e facilitar a emissão, registro e validação de diplomas, certificados, boletins e outros documentos digitais. Com os Smart Contracts, essa emissão passa a ser prevista em função de determinados critérios e condições. Assim, o processo é automatizado e a documentação fica segura e valida. Reduz burocracia, reduz custos e agiliza o processo.

Em 2022, os desafios ainda serão grandes para todos os setores da economia. Há uma grande mudança no comportamento dos consumidores, incluindo uma nova visão e novas necessidades em relação aos produtos educacionais que consome. Essas são algumas das tendências que estão movimentando as instituições educacionais. Nelas deverá residir boa parte da diferença entre as empresas que farão uma recuperação mais acelerada desse período de dois anos de perdas significativas.

 

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